Recentemente eu terminei Super Castlevania IV via emulador, e sendo um fã confesso do Mega Drive na geração 16 bits não pude deixar de fazer comparações com o único Castlevania que o console da Sega recebeu: Castlevania Bloodlines. Afinal são jogos que de comum só tem o fato de pertenceram à famosa série da Konami, apresentando características bastante díspares em vários sentidos.

Tela Inicial Super Castlevania IV
Para começar, o personagem principal em Super Castlevania IV é Simon Belmont, exatamente o primeiro Belmont que vi em um jogo Castlevania, o primeiro de Nes. E isso não por acaso, porque embora o jogo tenha recebido esse IV no ocidente, ele é de fato um “remake” do primeiro jogo. No Japão ele foi lançado com o título de “Akumajō Dracula”, sem nenhum número ali. Já em Castlevania Bloodlines, em nenhum momento voce controla um Belmont, ainda que haja dois personagens selecionávies: John Morris, que por possuir algum tipo de descendência com os Belmont usa o famoso chicote “vampire killer”; e Eric Lecarde, que utiliza uma lança. A titulo de curiosidade, na história “geral” da serie, John Morris acaba morrendo por utilizar o vampire killer sem ser um “verdadeiro” descendente dos Belmont, e o filho dele, Jonathan Morris, resolve insistir no erro do pai ao protagonizar o jogo de DS Portrait of Ruin.
Voltando ao comparativo entre os dois jogos, na questão gráfica, ambos possuem pontos fortes e fracos na minha opinião, e agora estou certo que vou ouvir um coro dizendo “como?… todo mundo sabe que o super nes é graficamentes superior ao mega”. Vamos por partes aqui, primeiro o Super Nes tinha uma paletta bem maior de cores e quando utilizando o modo 7, que alias esse jogo utiliza, era capaz de fazer efeitos de rotação e zooming que o mega jamais seria capaz de fazer. Como resultado, Super Castlevania IV tem telas realmente lindas, mais detalhadas, com mais cores e cores mais vivas, e os efeitos do modo 7 foram usados de maneira competente em pelo menos duas fases. Mas se falarmos um pouco de estilo, Castlevania Bloodlines mostra uma estética muito mais grotesca, até sanguinária em vários momentos, muito mais apropriado a um jogo onde voce encontra ícones das historias de terror, alem de alguns efeitos bem interessantes como um de “espelhamento” usado em algumas fases que inclusive afeta a jogabilidade. Em Bloodlines os chefes de fases também chamam mais a atenção. Afinal se o Super Nes sabia produzir mais cores na tela, é sabido que o Mega era melhor quando se tratava de por coisas se movendo na tela, e se movendo rápido inclusive. Sonic que o diga! Como resultado a versão de Mega tem vários chefes gigantes compostos de várias partes, coisa que não se vê na versão de Super Nes. Até mesmo Dracula, que durante o combate final no jogo de Mega Drive se transforma em um monstro enorme no melhor estilo de outros jogos da série, no final de Super Castlevania IV consegue apenas ficar com o rosto mais feio. Quanto ao som, minha opinião empata os dois jogos, pois em ambos ha fases com músicas bacanas, incluindo hits clássicos da série; e outras onde a música de fundo me pareceu, simplesmente, chata! Estou falando das composições em si, sem entrar no mérito de quantos canais de som cada videogame suportava, isso os interessados em questoes técnicas poderão achar no Google.

Tela Inicial Castlevania Bloodlines
O jogo de Super Nes consegue ganhar em termos de duração, pois são 11 fases no Super Nes contra 6 no Mega Drive. E se alguém concluiu assim que então ganha tambem no numero de chefes, a resposta é que, se ganha, não será por isso, pois em Bloodlines há dois chefes por fase, e três chefes no estagio final. E não esqueçamos que a versão do Mega Drive tem 2 personagens com caracteristicas unicas que, mais do que permitir, de fato obriga os dois a seguir caminhos diferentes em varias fases, o que aumenta o numero de possibilidades quanto a forma de jogar cada estágio.

Fundo que gira em Super Castlevania IV
O nível de dificuldade eu também acredito ser significativamente maior no jogo de Super Nes. Realmente, eu tive que apelar para a capacidade do emulador de salvar estados criando com isso “check points” artificiais no jogo. Porque há vários momentos em que se voce não der um salto ou fazer um movimento com precisão, é morte instantânea. E na maiorida desses momentos, se voce morre, tem que recomeçar a fase do inicio, bem ao estilo de alguns plataformas bem antigos. O mesmo vale para a luta com a maioria dos chefes, perca e voce nao recomeça ali ou na entrada da sala onde ele fica, mas é arremessado bem para trás. E para ajudar, esse jogo ainda trouxe de volta o famoso relógio, que limita o tempo que voce tem para completar cada fase. Em varios momentos eu começava a ouvir aquele “tititi” irritante de despertador dizendo que eu tinha so alguns segundos restantes e tentava apressar o passo, mas isso foi inutil todas as vezes. Quando o relógio zera, Simon morre instantaneamente. Ironicamente isso aconteceu até mesmo numa ocasião em que eu estava na luta contra o chefe do estágio e já havia até vencido a luta e aparecido aquela “bolinha” que voce sempre tem que pegar para finalizar o estágio. Mas nem deu tempo de ir atrás dela, pois meu oponente morreu e eu pouco depois. Enfim, se existe algo para eu detestar em Super Castlevania IV, com certeza é esse relógio totalmente desnecessário a meu ver. Bloodlines felizmente não possui isso.

Um dos inimigos gigantes de Bloodlines
No que toca o controle dos personagens, mesmo comparando os dois adeptos da chibata, ha variações: Simon Belmont consegue chicotear em todas as direções possiveis, enquanto John Morris não. Mas enquanto Simon precisa achar pontos especificos do cenario para se pendurar usando o chicote, John consegue fazer com que ele grude em praticamente qualquer superficie do teto para dar uma de Tarzan e assim passar por cima de grandes buracos. Ja Eric nao consegue fazer isso, mas consegue usar sua lança para dar longos saltos para cima. E é exatamente essa diferença entre os dois personagens da versao de Mega Drive que faz com que eles sigam caminhos diferentes em varias partes, ainda que as fases no fim sejam as mesmas. Em Bloodlines as armas classicas como o machado, a cruz, e aquela poção ou água benta estão presentes, mas nesse jogo há dois modos de ataque para cada uma. Por fim, no console do Sonic o jogo segue um ritmo mais acelerado, ja que tanto os personagens quanto os inimigos parecem se mover mais rapido. No Super Nes, o ritmo e diminuido ate pelo fato de que, se voce tenta avançar mais rapido, é pego de surpresa várias vezes por inimigos que insistem em se camuflar para atacar Simon de surpresa, algo que eu percebi em praticamente todas as fases. E se por um lado é preciso segurar o passo para não ser pego de surpresa, eu já falei do relógio certo?
Na historia não há muito o que comentar, Dracula esta de volta ou esta para voltar, e voce tem que enfrentar seus acolitos até chegar no dentução, ai incluídos vários personagens ícones do horror como Frankenstein, a Mumia, ou da mitologia como a Medusa. Em ambos é possivel encontra-los. Mas se a historia do jogo em si é a mesma nos dois lados, a versão de Mega inclui algumas referencias sutis ao cinema e à literatura. Para começar, na historia do jogo, Dracula esta para ser revivido por uma tal de Condessa Bartley, personagem que busca certa inspiração em Erzsébet Báthory, uma célebre serial killer. A versão de Mega também tenta aproximar mais a série do romance de Bram Stoker, fazendo inclusive referencia a um dos personagens do livro: Quincey Morris. Notaram a semelhança no sobrenome? No livro é uma das pessoas que mata o rei dos vampiros junto com os Harker. Detalhe 1: no livro não há nenhum Belmont. Detalhe2: John Morris no jogo de Mega Drive é filho desse Quincey Morris. Cabe a cada um decidir aqui o que é mais meritório, o sobrenome Belmont ou as referências citadas.

A Morte, presença tarimbada da série, não podia faltar em Super Castlevania IV
Mas como dois jogos de uma mesma série puderam acabar tão radicalmente diferentes? Há muito em cima do que se pode teorizar aqui, a começar pelo óbvio fator de terem sido lançados para consoles bem diferentes. São jogos de épocas diferentes, pois o jogo de Super Nes veio em 1991 e lembro ter sido um dos primeiros jogos que vi para o console, enquanto o de Mega Drive seria feito 3 anos mais tarde. E o de Super Nes nasceu em terras nipônicas enquanto que o jogo de Mega é uma produção americana. E qual dos dois seria o melhor? Bem, minha preferência pela versão de Mega ficou patente no correr deste texto, e acredito ter deixado meus motivos claros, mas preferências são coisas pessoais muitas vezes, e ambos os jogos são produções competentes, cada uma a seu próprio estilo. E qualquer um que goste de jogos e da serie Castlevania deve com certeza jogar ambos, pois ambos oferecem uma experiência recompensadora a qualquer um capaz de apreciar um jogo bem feito.

Morris contra um Hellhound
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